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Pacientes com doença falciforme denunciam falta de remédio há 8 meses na Unicat

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28 de jul. de 2026
Há 7 h atrás
Pacientes com doença falciforme denunciam falta de remédio há 8 meses na Unicat
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Pacientes com doença falciforme e familiares realizaram, nesta terça-feira (28), uma manifestação em frente à Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat), em Natal, para cobrar do Governo do Rio Grande do Norte a regularização do fornecimento da hidroxiureia, medicamento utilizado no tratamento da doença. Segundo a associação que representa os pacientes, o remédio está em falta desde dezembro de 2025, deixando centenas de pessoas sem acesso ao tratamento.

Durante o ato, os manifestantes afirmaram que a hidroxiureia é essencial para reduzir as crises provocadas pela doença, como dores intensas, anemia e infecções. De acordo com a presidente da Associação Norteriograndense de Pessoas com Doença Falciforme, Ingrid Silva, o medicamento é classificado como do grupo 1B do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, cabendo ao Estado a compra e a distribuição.

Segundo a representante, a ausência do medicamento já motivou uma ação judicial. Ela informou que, em fevereiro deste ano, a Justiça determinou que o Estado adquirisse a hidroxiureia no prazo de dez dias, mas a decisão não teria sido cumprida.

Ainda conforme Ingrid, a falta do medicamento já teria provocado cerca de quatro mortes entre pacientes desde o início do desabastecimento. Ela afirmou que a hidroxiureia reduz em até 50% as crises dolorosas da doença e classificou a situação como resultado de negligência do poder público.

A associação também relatou que, além da falta do medicamento, pacientes enfrentam dificuldades para receber atendimento durante as crises. Segundo a representante, o estado não dispõe de hospital de porta aberta específico para pessoas com doença falciforme, mesmo nos casos em que as dores intensas exigem o uso de morfina. Ela afirmou que a situação afeta não apenas os pacientes, mas também seus familiares.

Durante a mobilização, mães de crianças com doença falciforme relataram os impactos da interrupção do tratamento. Uma delas informou que a filha, de cinco anos, faz uso contínuo da hidroxiureia, apresenta crises frequentes de dor e precisou ser internada no Hospital Infantil Varela Santiago devido a dores intensas na perna direita.

Outra mãe afirmou que tem dois filhos com anemia falciforme e que, diante da falta do medicamento na rede pública, precisa organizar rifas para conseguir comprá-lo. Segundo ela, o custo mensal para manter o tratamento das duas crianças chega a aproximadamente R$ 1 mil.

Outro participante da manifestação relatou que consegue adquirir a medicação com ajuda de terceiros, mas destacou que muitos pacientes não têm condições financeiras para arcar com o custo do tratamento, especialmente aqueles que vivem com renda de um salário mínimo.

Os manifestantes afirmaram que o objetivo do protesto foi chamar a atenção do poder público para a situação enfrentada pelos pacientes e cobrar uma solução definitiva para o desabastecimento da hidroxiureia.

Procurada, a direção da Unicat informou que a chegada da hidroxiureia está prevista para esta semana e que, assim que o medicamento for recebido, a distribuição será iniciada.

Agora RN

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