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Sesap abre sindicância após morte de gestante no Hospital Santa Catarina

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22 de jul. de 2026
Há 12 h atrás
Sesap abre sindicância após morte de gestante no Hospital Santa Catarina
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A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) instaurou uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte da gestante Jainne Francisca de Lima Nicássio, de 25 anos, ocorrida na semana passada após complicações durante uma cesariana no Hospital Regional Santa Catarina, na Zona Norte de Natal. Paralelamente, a pasta determinou o afastamento preventivo do anestesiologista envolvido no atendimento de todos os plantões vinculados à rede estadual enquanto a investigação administrativa é conduzida.

As informações preliminares apontam para uma troca de medicação, reconhecida pelo profissional. “Se ficar comprovado, por exemplo, que houve falha na forma de armazenamento ou identificação dos medicamentos, outras responsabilidades também poderão ser apuradas”, explicou o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta.

Segundo ele, as informações levantadas até o momento indicam que, durante a preparação para a cirurgia, foi administrada uma medicação vasoativa utilizada para elevar a pressão arterial, em vez do medicamento previsto para o procedimento. Ele afirma que o próprio médico identificou a troca, registrou o ocorrido no prontuário eletrônico, comunicou imediatamente a direção do hospital e prestou esclarecimentos aos familiares da paciente, reconhecendo o erro. “A impressão que temos é de que se trata de um profissional que assumiu integralmente sua responsabilidade. Ele reconheceu o erro, registrou no prontuário, conversou com a família e mostrou as ampolas utilizadas”, afirmou Motta.

Conforme a Sesap, a medicação administrada foi noradrenalina, utilizada normalmente em pacientes em choque e aplicada de forma diluída e controlada. No caso, segundo o relato do secretário, o medicamento foi administrado em bolus (de uma só vez ou em um curto período de tempo), provocando uma elevação abrupta da pressão arterial.

O secretário relata que, após a aplicação, a gestante apresentou agravamento imediato do quadro clínico, evoluindo com edema agudo de pulmão. “Ela precisou ser intubada. Posteriormente, houve uma tentativa de extubação, mas foi necessária uma nova intubação. Depois disso, ela sofreu uma parada cardíaca”, contou.

Posteriormente, a jovem ficou internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), evoluiu com comprometimento neurológico, morte encefálica e, em seguida, parada cardiorrespiratória definitiva. O bebê nasceu por cesariana de urgência, apresentou boas condições clínicas ao nascer, recebeu alta hospitalar no último dia 18 e permanece sem complicações, segundo a Sesap.

Embora as informações preliminares apontem para uma troca de medicação reconhecida pelo profissional, o secretário ressaltou que a sindicância irá esclarecer todas as circunstâncias do atendimento e verificar se houve outras falhas além da conduta individual do anestesiologista. “São avaliados a conduta profissional, os protocolos do serviço, os aspectos administrativos e eventuais infrações éticas.”

Motta informou que toda a documentação relacionada ao atendimento, incluindo prontuário, prescrições e demais registros, foi preservada pela unidade hospitalar para subsidiar as investigações. Além da investigação administrativa, a direção do hospital comunicará oficialmente o caso ao Conselho Regional de Medicina (CRM), que poderá instaurar procedimento próprio para analisar a atuação profissional.

O anestesiologista, que presta serviço por empresa terceirizada contratada pela Sesap, foi afastado de todos os plantões na rede estadual. Segundo o secretário, trata-se de um profissional experiente, sem registros anteriores de ocorrências semelhantes. “A conduta precisa ser apurada e poderá haver responsabilização, mas o fato de o profissional ter reconhecido imediatamente o ocorrido demonstra transparência na condução do caso”, afirmou.

A Sesap também informou que não há registro de episódios semelhantes na rede estadual de saúde. Apesar de considerar o caso pontual, a secretaria afirma que o episódio reforça a necessidade de revisão permanente dos protocolos assistenciais e dos processos de segurança do paciente para reduzir o risco de falhas durante procedimentos hospitalares.

Tribuna do Norte

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